Prof. José Afonso Oliveira

Foto Christian Rizzi – Fronteira Barracão e Bernardo Irygogen (Argentina)

Para os adeptos do mercado global o mundo tem que ser constituído agora sem as fronteiras existentes. Essas fronteiras foram organizadas com o nascimento do Estado Nacional moderno a partir do século XVIII e hoje parecem obsoletas.

Na verdade, ao nascimento do Estado Nacional correspondeu igualmente a afirmação de espaços de criação e funcionamento de um mercado nacional que era protegido de outros mercados evitando-se assim determinados conflitos. Tínhamos então duas realidades que, com o passar do tempo, vão cada vez mais se aproximando: o mercado nacional, sob o domínio do Estado e o mercado internacional que se regia por ele mesmo.

Mas hoje ainda persistem muito fortes os mercados nacionais, de vez que os Estados Nacionais são extremamente poderosos e riquíssimos, fundamentais para o funcionamento das sociedades.

Esses Estados, bem armados e equipados se protegem de grandes massas que perambulam pelo mundo fugindo de guerras avassaladoras, da fome e da miséria. Esses imensos contingentes humanos são rechaçados e ficam à deriva no mundo atual.

Mas temos ainda também fronteiras de pensamento quer sejam ideológicas, religiosas, culturais que ainda lutam entre si com a finalidade de imposição de determinadas hegemonias.

Essas diferenças se expressam hoje, com clareza, na tentativa de conseguirem realizar o engrandecimento dos Estados Nacionais e claro, o enriquecimento de suas sociedades. No contraponto a essa situação os Estados mais poderosos com suas riquíssimas sociedades fazem de tudo, lícito ou não, para que a situação possa ser mantida pois que é altamente favorável a eles.

Romper essas fronteiras é talvez a principal questão posta hoje no mundo que exige novas concepções sociais, permitindo assim uma diferente forma de convivência entre as pessoas no mundo e destas com a natureza. Isso requer novos posicionamentos econômicos, políticos e sociais que começam a surgir e vão determinar o seu amadurecimento ou desaparecimento agora e em tempos futuros.

De qualquer forma é premente a necessidade de rompimento dessas fronteiras que nos prendem, muitas vezes a um passado que já não mais existe para que realmente possamos avançar criando pontes, estreitando laços, buscando soluções que estão sendo gestadas fora dos espaços ora dominantes. Essa é a grande esperança do mundo e sem ela tudo vai ficando cada vez mais confuso.