Prof. José Afonso de Oliveira

Foto Christian Rizzi

As grandes fronteiras hoje dizem respeito às questões ideológicas. Hoje tudo parece que está superado, sendo a realidade do mercado a única que é mantida. Ora, nada mais falso do que isso, pois que ainda temos as ideologias como grande argumento para a organização da sociedade.

É vem verdade que algumas ideologias não fazem mais o menor sentido, pois que tudo o que colocavam, na prática mostrou-se completamente inviável com o fim da União Soviética nos anos 80 do século passado. Mas isso não quer dizer que as ideologias não tenham o seu valor e, mais do que isso, não sirvam mais de estímulo para os grandes avanços na sociedade que devem ser realizados.

Há hoje, infelizmente, uma abstenção generalizada por questões que dizem respeito ao poder, sendo que esse fator passa a ser perigoso no sentido de que aventureiros, e eles existem, possam iludir as pessoas com falsas promessas de reformas sociais.

O que estamos assistindo, mundo afora, é o ressurgimento de algumas ideologias que levaram o mundo à sua maior catástrofe que foi a Segunda Guerra Mundial. Pensar que o nazismo ou o fascismo possa reorganizar a sociedade, estribado num nacionalismo exacerbado é algo temeroso nos dias que estamos vivendo.

Tudo isso é fruto da grande transformação que a sociedade está passando com a era do capitalismo informatizado. Evidente que isso acaba trazendo grandes avanços na sociedade, mas também atrasos no sentido de tentarmos buscar possíveis soluções no passado recente. Mas isso hoje é absolutamente impossível de ser processado dessa maneira.

Na verdade, temos que buscar novas alternativas que sejam capazes de atender às demandas da sociedade, não tanto nos aspectos meramente econômicos, mas também políticos e sociais. Nesse sentido a democracia, como forma de exercício de poder tem que ser ampliada possibilitando a maior participação dos cidadãos nas esferas do poder, de sorte a que novas formas de exercício do poder possam ser criadas e prevalecerem, importando assim infinitas possibilidades de relações sociais.

Ultrapassar o existente garantindo para todos os cidadãos, habitação, saneamento básico, educação, saúde é essencial para essa nova realidade que está sendo construída. Não podemos, de forma alguma construir algo novo mantendo as escandalosas e, essas sim, perigosas desigualdades sociais que estamos convivendo agora.