Suspeitos foram liberados por falta de provas que os vincule ao assalto. Durante busca hoje, polícia paraguaia prendeu brasileiro no Paraná Country Clube

Denise Paro

foto Oscar Florentin

 

A justiça liberou sete dos 15 suspeitos presos por envolvimento no assalto a transportadora de valores Prosegur, em Ciudad del Este, Paraguai. Cinco homens deixaram a delegacia da Polícia Federal (PF) em Foz do Iguaçu na noite de ontem por ordem da Justiça Estadual do Paraná. Outros dois, detidos em Guaíra, foram soltos na tarde de ontem.

Os detidos foram liberados por falta de provas suficientes que os liguem ao assalto.  Os homens presos em Guaíra haviam sido surpreendidos quando estavam em veículo Volkswagem Jetta blindado com placas do estado de São Paulo. Eles retornavam do Mato Grosso do Sul e seguiam para o Paraná pela ponte Ayrton Senna quando ocorreu a interceptação da polícia.

Os outros homens presos na região de Foz teriam ligação com receptação de carro roubado. A polícia estima que cerca de 50 pessoas participaram do assalto e ainda mantém buscas no Brasil e no Paraguai.

O delegado-chefe da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, Fabiano Bordignon, comentou, durante coletiva à imprensa na tarde de hoje, em Ciudad del Este, que pode haver novas prisões e ocorrer eventuais solturas, porém isso não se configura como problema para a investigação.

Para ele, o grande trunfo da investigação foi a descoberta de uma casa, em Ciudad de Este, onde peritos coletaram materiais que podem servir para provas. “Queremos apresentar o quanto antes resultados, mas resultados bem mais técnicos e seguros que possam subsidiar a condenação dessas pessoas”, afirma Bordignon.

helicoptero opração

Helicóptero usado durante buscas no lado brasileiro. Foto: Divulgação/Sesp

Prisão –  A Polícia Nacional do Paraguai prendeu na manhã de hoje um brasileiro no condomínio  Country Club em Hernandárias, nos limites com Ciudad del Este, durante operação, com participação de promotores do Ministério Público,  de buscas aos assaltantes da transportadora de valores Prosegur.

O brasileiro foi localizado em uma residência que estaria sendo usada pela quadrilha. A polícia não divulgou o nome do proprietário da casa onde há pessoas morando.

A operação também resultou na apreensão de um drone, que tinha imagens aéreas da região onde está localizada a empresa Prosegur, e cinco veículos, alguns blindados, segundo o porta-voz da Polícia Nacional de Ciudad del Este, Augusto Lima.   

Buscas estão sendo feitas pela Marinha Paraguaia e pelo Núcleo Especial de Polícia Marítima – Nepom, da Polícia Federal na região do Lago de Itaipu, cuja extensão é de 170 quilômetros, e no Rio Paraná.

A transportador de valores foi alvo de bandidos na madrugada da última segunda-feira, dia 24. Com granadas, os assaltantes explodiram a entrada da empresa e levaram malotes de dinheiro. Até hoje haviam sido recuperados o equivalente a R$ 4,6 milhões, nas moedas real, dólar e guarani. A polícia estima que foram roubados cerca de R$ US$ 40 milhões, embora a empresa afirme que o total subtraído é de US$ 8 milhões.

Lima diz que os assaltantes fugiram para diferentes lugares e se dividiram em subgrupos. Uma parte entrou no Brasil pelo Lago de Itaipu, na altura do município de Itaipulândia, a 70 quilômetros de Foz do Iguaçu. Destes, 14 foram presos em várias cidades da região oeste e três acabaram mortos durante confronto com policiais. “A organização criminosa foi dividida em vários grupos com diferentes funções. O comando operacional para a prática do crime foi distinto e com ação simultânea”, afirma.

A hipótese de a quadrilha ter se dividido na fuga, diz o policial, tem relação com as diferentes funções dos grupos durante o assalto. Uma equipe de franco-atiradores estava posicionada no alto de prédios com fuzis, intimidando a aproximação dos policiais; outra espalhou miguelitos – cruz feita com pregos para furar pneus de carros – pela rua, um terceiro grupo ficou exclusivamente encarregado de trancar saídas das ruas próximas à empresa. Os assaltantes usaram granadas, fuzis AK-47 para proteger os cúmplices e ainda atearam fogo em 13 carros. “Não era fácil. Era 90 contra 10. O risco era muito alto para a polícia”, explica Lima.

Pelo menos 21 veículos usados para fechar as ruas, entre carros pequenos e caminhonetes, foram recuperados pela polícia paraguaia. 

A mansão usada como base para planejar o assalto foi alugada há um mês pela quadrilha, na região central de Ciudad del . O Ministério Público do Paraguai e a Polícia Federal brasileira vistoriaram a casa, localizada a 10 minutos da empresa, em trajeto de carro. Papiloscopistas e peritos brasileiros estiveram no local para colher provas.