Desenvolver a capacidade de lidar com emoções na infância é meio de prevenir ansiedade e depressão

A rotina da vida escolar nos leva a aprender a ler, escrever e fazer cálculos. Porém, alguns princípios são deixados de lado ou pouco valorizados, tais como a educação financeira e principalmente a emocional. Crianças e adolescentes que desenvolvem habilidades para lidar com os próprios sentimentos têm chances de, no futuro, não desenvolverem dois transtornos bastante comum nos dias de hoje: a ansiedade e depressão.

O Brasil é o país com maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e na América Latina lidera casos de depressão, segundo estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) referente a 2015. Os dados preocupam considerando que a cada cinco crianças, uma tem ou terá algum problema emocional grave envolvendo uma das duas doenças.

A depressão atinge em todo mundo cerca de 322 milhões de pessoas, índice 18% maior que há 10 anos. No Brasil, cerca de 5,8% da população sofre com o problema, ou seja, 11,5 milhões, de acordo com a OMS. Quando se trata de depressão, os índices brasileiros superam o do Paraguai 5,2%, Chile e Uruguai, com 5%. O país perde apenas para os Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos. A situação crítica fez a OMS eleger 2017 como Ano de Combate à Depressão.

Nos índices de ansiedade o Brasil também lidera. Pelo menos 9,3% da população sofre com o problema, taxa três vezes acima da média mundial. No Paraguai o número é de 7,6%.

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Aplicado em grupo, método promove a interação e contribui para o desenvolvimento humano e psicológico. Foto/Assessoria

Especialista no tratamento de transtornos emocionais, a psicóloga Luziânia Medeiros, de Foz do Iguaçu, aponta que alguns sinais de ambos os transtornos podem ser identificados nas pessoas, tais como, agitação, alteração do sono, isolamento e dificuldade de fazer amigos.

Ela diz que desenvolver habilidade socioemocionais (autoconhecimento, empatia, sociabilidade, autoconfiança, entre outros atributos)  funciona como fator de proteção para diminuir as possibilidades de um desfecho como ansiedade e depressão. “Muitos pais se preocupam em dar uma boa educação acadêmica aos filhos (e isso é realmente muito importante). Porém, não é suficiente que tenhamos adultos bem preparados tecnicamente, mas fracos nas habilidades socioemocionais. É preciso equilibrar e investir em ambas as competências”, explica Luziânia.

Para prevenir o problema, a psicóloga trabalha com uma técnica inovadora chamada Método Friends (Método Amigos), criado pela doutora em Psicologia Paula Barret na década de 90, na Austrália, e aplicado em grupo. Atualmente cerca de 30 países utilizam o Friends, alguns deles, inclusive, como Política Pública. No Brasil, são 150 facilitadores autorizados.

Método aplicado em grupo para oportunizar a interação, o Friends ensina estratégias para enfrentar desafios e gerar soluções para problemas cotidianos. Trabalha, por exemplo, com o conceito de coragem, desenvolve o senso de gratidão, o que é considerado um grande remédio contra o estresse, explica Luziânia.

O método é indicado para adultos e crianças a partir de 4 anos.

Denise Paro com assessoria