Lançamento hoje na feira do livro mostra trajetória de autor que escreveu durante quase 30 anos obra-prima da lexicografia francesa no século XIX

Nenhum dia sem deixar de escrever. Esse antigo provérbio atribuído a Plínio, o Velho, foi o lema adotado por Émile Littré para conseguir finalizar a escrita do Dicionário da Língua Francesa, obra-prima da lexicografia do Século XIX que tomaria quase 30 anos de sua vida. O livro que retrata a saga intelectual do lexicográfo será lançado nesta sexta-feira, às 19h, na Feira Internacional do Livro.

De autoria do médico Pedro Fernandes e da coordenadora de cursos EAD, Jacqueline Nahas, o livro da Editora Editares é uma antologia com seis capítulos que versam sobre a vida de Littré e o contexto social, político e intelectual da França no Século XIX. Um dos capítulos refere-se à tradução do prefácio do próprio Dicionário da Língua Francesa. Outros dois trazem o texto original em francês, Causerie – Comment j’ai fait mon dictionnaire de la langue française (1880) e a respectiva tradução em português – ConfidênciaComo eu fiz o dicionário da Língua Francesa. Nesse texto, Littré conta como conseguiu escrever a obra em meio a tamanhas dificuldades pessoais, angústias, em uma França dominada por uma sequência de revoluções e instabilidades políticas.

Homo lexicographus

A leitura da obra leva o leitor a uma imersão, não só na biografia de Émile Littré. Proporciona, por meio de capítulos escritos por outros quatro autores, uma viagem histórica pela França oitocentista, ou seja, a França da Lexicografia, das Revoluções, da Belle Époque, da Literatura e do Caso Dreyfus que selou o papel preponderante da imprensa enquanto quarto poder. Traz, também, um panorama da lexicografia do século XIX e menciona as etapas de estruturação de um dicionário.

Transitavam neste período de prolífica produção intelectual personalidades ilustres a exemplo dos escritores Victor Hugo, Balzac, George Sand e Émile  Zola; do editor e amigo de Littré na época da escola, Louis Christophe Hachette; do médico e fisiologista francês Claude Bernard e do intelectual Auguste Comte.

Émile Littré foi médico, filósofo, político, tradutor e filósofo francês. Dedicou sua vida a adquirir e transmitir conhecimentos em diversos campos do saber. A ideia do dicionário surgiu em 1841, quando Littré e Louis Hachette entram em acordo para a escrever a obra. Os primeiros impressos vieram a público somente em 1863. A obra-prima do lexicógrafo francês tem 4 volumes e um total de 2.628 páginas.

” … o [dicionário] Littré pode ser considerado uma obra-prima da lexicografia francesa, mesmo para os modernos critérios lexicográficos. Littré dedicou-se monacalmente à confecção do seu dicionário durante 30 anos. Foi um inovador para o seu tempo”, de acordo com Maria Teresa Biderman, lexicógrafa brasileira, autora do Dicionário Contemporâneo do Português.