Polícia suspeita  que movimentação de armamento na fronteira deve-se a novas facções criminosas instaladas nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul

As apreensões de armas na BR-277, entre Foz do Iguaçu e Santa Tereza do Oeste, aumentaram 270% este ano em relação a 2016. Conforme estatísticas da Polícia Rodoviária Federal – em 2016 foram tiradas de circulação 27 armas. Este ano, até dia 20 de outubro, o número corresponde a 100.

O crescimento das apreensões foi impulsionado pelas pistolas. Em 2016, a PRF apreendeu 11 pistolas. Este ano foram 84, ou seja, 6 vezes mais. A maior parte, ou seja, 56, estava com um casal que levava o armamento no fundo falso de uma Belina ano 90. No veículo, interceptado no Posto de Santa Terezinha de Itaipu, no dia 14 de junho, havia cinco pessoas e um bebê de colo.

Chefe substituto do Núcleo de Policiamento e Fiscalização da PRF em Foz, David Paes Ribeiro, diz que uma das hipóteses para explicar o aumento da movimentação de armas na fronteira e a consequente apreensão deve-se ao surgimento de facções criminosas nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Uma parte do armamento continua sendo transportada para o eixo Rio e São Paulo, rota tradicional. No entanto, outras remessas têm como destino os estados do Sul. “Por serem facções novas a logística ainda não está aperfeiçoada e eles tentam passar de forma desorganizada”, explica.

Apesar de boa parte das armas terem sido flagradas sendo transportada por pessoas, algumas presas ao corpo, o que predomina é o uso de  fundos falsos de veículos. Ribeiro diz que as pistolas representam a maior parte das apreensões porque a fronteira de Foz do Iguaçu e Ciudad de Este porque outros tipos de armas, como fuzis, são mais comuns na fronteira do Mato Grosso do Sul.

Em relação às munições, apesar de a quantia retida este ano não ser maior em relação a 2016, a expectativa da PRF é de que até o final do ano o total deve se igualar ou superar o ano passado. As estatísticas referem-se apenas às apreensões feitas pela PRF entre Foz do Iguaçu e Santa Tereza do Oeste.

As armas são facilmente adquiridas no comércio paraguaio. É comum, nas ruas, vendedores abordarem eventuais clientes para oferecer armamento.

Estatísticas revelam que o número de pistolas apreendidas aumentou 6 vezes em 2017

2016

Munições 

16.573 unidades

Armas 

1 carabina

2 espingardas

11 pistolas

13 revólveres

 

2017 (até 20 de outubro)

Munições 

11.185 unidades

Armas

1 espingarda

1 fuzil

84 pistolas

13 revólveres

Outros (1 unidade)

Fonte: PDI PRF