Universidade sustenta que o gasto médio com aluno é R$ 2,5 mil e não 15,7 mil como afirma o TCE

Denise Paro

Foto Christian Rizzi

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste divulgou ontem nota contestando informações repassadas pelo Tribunal de Contas do Estado – TCE em relação às despesas de manutenção da instituição. De acordo com levantamento do TCE, a Unioeste é a universidade estadual onde o aluno custa mais, ou seja, R$ 15.797, seguida pela Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, cujo valor por estudante chega a R$ 11.887,00.

Na nota, a universidade refuta os números. Conforme o documento, a instituição tem hoje 12.250 alunos de graduação e pós-graduação presenciais. Se o custo mensal de cada aluno fosse 15.797,00, como indica o TCE, a Unioeste receberia R$ 191.434.782,20 ao mês e R$ 2.297.217.386,46 ao ano, valor incompatível com o montante de hoje.

Em 2016, as despesas da universidade totalizaram R$ 352.177.489,94. No mesmo período, o custo médio de cada aluno foi R$ 2.529,73. Os valores estão dispóníveis no Portal da Transparência.

Considerando o orçamento aprovado para este ano, no valor de R$ 352.177.489,94 e o total de alunos matriculados, o custo médio do aluno chegará a R$ 2.487 ao mês. A universidade ainda ressalta que as contas são auditadas quadrimestralmente pelo TCE.

Em entrevista coletiva concedida ontem, dia 28, o reitor da Unioeste, Paulo Sérgio Wolff, disse que todas as contas da universidade foram aprovadas e as contratações de funcionários e professores têm acompanhamento do governo do estado.  “Não tem um aumento, um valor pago pela Unioeste que não esteja dentro da lei”, afirma.

Estudante do último ano do curso de Pedagogia do campus de Foz do Iguaçu, Lilian Midori Takahashi diz que a situação da universidade é lamentável. No campus de Foz do Iguaçu, faltam insumos e os banheiros estão sem sabonetes, apesar de a gestão da direção ser considerada boa pelos alunos. “No almoxarifado faltam lâmpadas. Tem aluno fazendo vaquinha para comprar”, diz.

Para a estudante, a estratégia do governo é sucatear as universidades públicas para a posterior privatização, mesmo diante dos bons resultados. A Unioeste é a sétima melhor universidade pública estadual do Brasil, conforme ranking do Ministério da Educação – MEC, divulgado em março deste ano. Em Foz do Iguaçu, a universidade é a primeira no Índice Geral de Cursos (IGC) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), com um total de 3,4571 pontos, seguida pela  Uniamérica 2,9929.

Unioeste

Em Foz, Unioeste é a primeira colocada no ICG do Inep. Foto Christian Rizzi

UNICENTRO

O TCE divulgou dados das 6 universidades estaduais do estado e na última terça-feira abriu auditoria especial para levantar os gastos e analisar despesas das instituições nos últimos anos. Todas contestam os números.

Em nota, a Universidade Estadual do Centro-Oeste – Unicentro informa que se o custo apontado pelo TCE fosse verdadeiro  a instituição teria um orçamento mensal de R$ 60.947.133,00, que é o resultado da multiplicação do valor gasto por aluno – R$ 7.761,00. “Esse número, além de irreal, é absurdo”, contestou o vice-reitor da Unicentro, professor Osmar Ambrósio de Souza. Segundo ele, o orçamento previsto para 2017,  de acordo com a LOA (Lei Orçamentária Anual), é de R$ 202.493.514,00. O total é 3,6 vezes menor do que o apresentado pelo TCE a partir do custo-aluno, diz.